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Gestão de riscos: princípios normativos explicados

“Atividades coordenadas para dirigir e controlar uma organização no que se refere a riscos”

A definição que abre nosso blog post é extraída da norma ABNT ISO Guia 73:2009 – Gestão de Riscos: Vocabulário – e corresponde justamente ao termo “gestão de riscos”.

Ao longo do texto buscaremos explicar cada parte dessa explanação, a qual deve ser encarada pelos profissionais como o centro da Gestão da Segurança do Trabalho nas empresas.

É necessário compreender que a teoria ocupacional em consonância com a boa prática diária permitirá executar atividades com segurança, mantendo um nível estável (e elevado) da cultura ocupacional.

Esse cenário só ocorrerá, entretanto, se forem dadas as condições ideais para a implantação da Segurança do Trabalho para os diversos processos da empresa e principalmente para o colaborador.

1. Atividades COORDENADAS

Manter atividades sob uma coordenação significa que existe uma estrutura predeterminada, isto é, numa etapa de planejamento foram indicadas quais seriam as medidas a serem tomadas, sob qual comando e de que forma.

A exemplo do que ocorre com um manual de instruções, as políticas de Gestão de Riscos precisam ser claras, mais simples possíveis e surtir efeitos desejados.

Uma linguagem é dita como clara quando é facilmente compreendida. Para isso, as diretrizes de uma Gestão de Riscos devem ser apresentadas de tal modo que possam ser assimiladas facilmente por todo corpo de colaboradores da empresa independente do nível de escolaridade e das funções que exerça.

Uma linguagem é simples quando alcança a explicação de modo mais direto possível. Um relatório de inspeção pode adotar esse tipo de abordagem e o mesmo deve ocorrer no momento de informar setores responsáveis pelas medidas a serem tomadas.

A estrutura de um processo de gestão de riscos deve compreender elementos para formar as seguintes etapas:

  • concepção
  • implementação
  • monitoramento
  • análise crítica
  • melhoria contínua

Essas etapas contínuas possuem fundamentos similares ao ciclo PDCA e devem ser replicados em todos os cenários que envolvam riscos iminentes ao colaborador.

2. “Atividades coordenadas PARA DIRIGIR”

Com a estrutura da Gestão de Riscos preparada, a direção das políticas de Segurança do Trabalho é assumida pelos procedimentos existentes na empresa, pela atribuição de responsabilidades entre os colaboradores e a obediência às práticas de execução.

Entende-se por procedimento todo conteúdo de autoria da empresa, que define em detalhes como as atividades de um determinado processo deverão ser executadas.

É importante que este documento possua vias digitais e impressas, se necessário, a disposição para consulta dos colaboradores tanto na área operacional quanto num setor administrativo. Deve-se somar a isso, a manutenção de profissionais capacitados (lê-se realizar treinamentos na empresa) que possam esclarecer eventuais dúvidas dos demais colegas de trabalho.

Demais documentos oficiais que dizem respeito às atividades também são associados aqui. Estamos falando dos diferentes planos de gestão de uma empresa como o PPRA e PCMSO, por exemplo.

Quanto à atribuição de responsabilidades podemos citar o exercício do profissional em Segurança do Trabalho, que deve estar atento em como conduzir as atividades com máximo rigor de segurança, obedecendo aos preceitos normativos e o que condiz com os procedimentos da empresa.

Outro importante recurso no que diz respeito a responsabilidades, é o papel da CIPA como mecanismo ativo de disseminação direta da cultura da segurança entre os colaboradores de uma empresa.

Por fim, as práticas de execução podem ser descritas em ordens de serviços específicas para determinado tipo de trabalho e seu planejamento deve contar com a participação do que a ABNT ISO 73:2009 chama de “parte interessada”, ou seja, todo aquele que venha a ser afetado pela ocorrência de alguma atividade.

3. “Atividades coordenadas para dirigir e CONTROLAR UMA ORGANIZAÇÃO”

Algo está sob controle quando é conhecido.

Em Segurança do Trabalho e, especialmente no trato da Gestão dos Riscos, essa questão é abordada como “identificação dos riscos”.

O processo de identificação é de suma importância para reconhecer situações que venham a causar acidentes de trabalho.

Se num ambiente de trabalho identificamos o que pode nos fazer mal, é possível nos preparamos para evitar o contato com ele. Assim, conceitos de “fonte de risco” e “eventos” são necessários.

  • Fonte de risco: elemento que dá origem ao risco. Ex.: furadeira.
  • Evento: acidente ou quase acidente (depende se o evento terá ou não consequências).

Num cenário controlado, os riscos são identificados por meio de placas, sinalização, avisos ou mesmo pelo uso obrigatório de alguns EPI.

CONCLUSÃO

Grosseiramente falando, Gestão de Riscos é um papel.

O que dará vida a ele é a dinâmica entre colaborador e empresa em prol da Segurança do Trabalho.

O processo de formação da Gestão de Riscos é cíclico e, portanto, entende-se não ter fim. Pelo contrário, cada volta ao ponto de origem é a oportunidade de renovação e melhoria de tomada de decisões.

Reportar riscos que eventualmente você encontre no seu ambiente de trabalho é uma excelente oportunidade de praticar seu lado prevencionista. Isso demonstra que você sabe identificar um cenário controlado de outro que venha a ameaçar a integridade física de alguém.

As empresas devem criar mecanismos de captação dessas informações, seja por um banco de dados, caixa de sugestões, entre outros.

No blog post de hoje você pôde acompanhar alguns esclarecimentos sobre Gestão de Riscos à luz da Norma.

É vital o profissional da Segurança do Trabalho compreender os princípios normativos de planejamento e adaptar a sua realidade de processo.

Outras abordagens similares você encontra nos materiais do blog.

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Autor:

Victor Pereira de Vasconcelos – Engenheiro Mecânico, Professor Formador do curso EaD de Técnico em Segurança do Trabalho no IFF e Redator EmapX.

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