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5 habilidades para fazer inspeção de Segurança do Trabalho do jeito certo

“O profissional de Segurança do Trabalho também precisa desenvolver diversas habilidades no seu cotidiano profissional, principalmente na sua atuação durante as inspeções de segurança nos ambientes ocupacionais.”

O segredo de parecer que sabe é ‘tá’ o tempo todo aprendendo.”. Essa frase é de Jô Soares e nos ajuda a esclarecer duas coisas muito importantes para os profissionais de Segurança e Saúde do Trabalho. Um: manter-se atualizado sobre os conteúdos de SST determina seu nível de profissionalismo. Dois: suas habilidades (fala, escrita, comportamento, etc.) serão testadas e desenvolvidas.

As normas de segurança e saúde ocupacional estão em constantes mudanças e ater-se a isso contribuirá com tomadas de decisão e medidas mais efetivas para os diversos cenários em que a presença do profissional de SST é necessária.

Sobre habilidades: quem conheceu apenas o trabalho de Jô Soares pelos programas de entrevista, saiba que ele é um verdadeiro artista completo. Além de apresentador e entrevistador, ele é uma inspiração como escritor, roteirista, artista plástico, humorista; ele também fala vários idiomas. O profissional de Segurança do Trabalho também precisa desenvolver diversas habilidades no seu cotidiano profissional, principalmente na sua atuação durante as inspeções de segurança nos ambientes ocupacionais.                  

As 5 habilidades para uma ótima inspeção de segurança

1. Visão: Compreensão de detalhes 

A visão vai além do que se é visto ao olho nu. Essa habilidade precisa ser compreendida como a capacidade de desmembrar o todo em partes menores, o que vai facilitar a inspeção do trabalho. Em outras palavras, é ter a noção quase que completa do desdobramento das demandas diárias de serviço.

A visão macro (abrangente) de uma frente de trabalho inclui o que vai ser feito e a visão micro (detalhada) vai incluir, como se espera, os detalhes dessa operação. Veja um exemplo a seguir: imagine que a situação macro seja o transporte de um contêiner do lado A para o lado B da empresa – o que é necessário para que isso aconteça em segurança? 

No nosso exemplo, uma série de detalhes precisa ser verificada para que a atividade ocorra sem surpresas desagradáveis.

Quando falamos de transporte, sobretudo de cargas pesadas, procuramos definir qual o melhor veículo para a remoção (com base também em plano de cargas, que é uma análise de manual de fabricantes de equipamentos de transportes e adequação à atividade necessária) e com isso, devem-se averiguar as condições (manutenção) do meio de transporte, além, claro, de seu condutor, que precisa ter habilitação específica, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Tão importante quanto o transporte é o trajeto por onde o veículo vai transitar. Assim, a sinalização é um item imprescindível. Inclui, portanto, o direcionamento dos veículos (para esquerda, para direita, PARE, etc.), bem como, limites de velocidades permitidos e faixas de pedestres, por exemplo. Além disso, no planejamento da atividade, uma atenção deve ser dedicada para a análise da superfície do trajeto, que pode implicar em adequações necessárias, e verificação de obstáculos no caminho e se atividades simultâneas ocorrem.

As condições do tempo também implicam no processo de movimentação de cargas. Existem normas que proíbem atividades quando da ocorrência de ventos muito fortes. Chuva pode ser um impedimento, caso os materiais transportados sejam sensíveis à água ou existam equipamentos elétricos não protegidos.

Quanto mais sua visão for detalhada, melhor será sua preparação para uma inspeção do trabalho. Veja o esquema a seguir, que resume os procedimentos da atividade que exemplificamos anteriormente:

Segurança do Trabalho: Detalhamento de atividade com movimentação de carga

2. Fala: Perguntar

Uma boa inspeção no ambiente laboral vai depender bastante da troca de informações entre quem trabalha no local diariamente e quem está visitando ocasionalmente.

No tópico sobre visão, você pode ter reparado que mencionei que o profissional de Segurança do Trabalho precisa ter uma noção quase que completa das diversas atividades que são realizadas. Seria ótimo se a visão fosse completa, mas somos humanos e imprevistos acontecem.

A habilidade da fala pode complementar a visão. Ninguém melhor que o profissional que atua diariamente em determinado setor para informar sobre riscos a que está exposto, sobre os detalhes das atividades que ele executa e sobre suas condições de trabalho.

A comunicação pelo diálogo deve ser desenvolvida para que as partes se entendam perfeitamente. Portanto, o profissional de Segurança do Trabalho precisa saber que seu papel durante uma inspeção não é o embate, mas, sim a proposição de melhorias e destaque para as boas ações que porventura já sejam executadas pelos demais colaboradores. Como e o que falar vai auxiliar bastante nesse processo.

3. Escrita: Relatórios e check list 

Você já aprendeu como ver e como falar num processo de inspeção. Agora vamos abordar sobre como escrever.

Um dos resultados de uma inspeção é, sem dúvidas, a elaboração de um relatório. Nele serão incluídos as observações e todo o processo que levou a realização de determinada auditoria.

A habilidade da escrita será notável quando você conseguir fazer que seu destinatário entenda tudo que foi passado. De nada adiantará realizar a inspeção, destacar situações a serem implementadas com fins de melhorias, se a ideia não for passada da melhor forma e de modo claro.

Sua escrita pode ser desenvolvida por leituras constantes. Experimente ler sobre o que você gosta primeiro (assuntos diversos). Depois passe para os destaques da literatura (livros recomendados). Por fim, especialize sua leitura em conteúdos técnicos (legislações de SST, manuais de fabricantes e sites ou blogs, como esse); os últimos serão determinantes para a base teórica dos seus relatórios.

A abordagem do check list (ou lista de verificação) nesse tópico fica a cargo de inspeções em atividades contínuas, isto é, que sempre ocorrerão sem modificações a se destacar. Para essas atividades ou mesmo para situações em que você fará suas primeiras impressões num processo de inspeção, destaque as seguintes situações corriqueiras de Segurança do Trabalho: iluminação, utilização de equipamentos de proteção individual e/ou coletiva, limpeza e organização, saídas de emergências e máquinas e equipamentos.

Com o tempo e experiência, você pode elaborar sua própria lista de verificação e já saber o que procurar durante uma inspeção. O check list será sua ferramenta mais simples e eficaz para o exato momento da inspeção, portanto, a escrita deve ser clara a ponto de qualquer outra pessoa compreender quais são os detalhes que você pretende abordar na sua inspeção.        

4. Precisão: Evidenciar os fatos

Até aqui, você deve ter percebido que as habilidades necessárias no processo de uma inspeção de SST são todas conectadas e dependentes umas das outras. O seu relatório de inspeção ganhará notoriedade se na sua abordagem conter além do embasamento legal (normativo), as evidências (registros fotográficos) precisas que justifiquem e fortaleçam sua parte teórica.

Não adianta: números e fotos ganham destaque sobre as palavras. Assim, você não precisa ser um fotógrafo profissional, mas deve buscar sempre as melhores formas para registrar suas evidências.

Pior que não registrar um apontamento, é apresentar uma foto distorcida ou mesmo ambígua. Os registros serão a ponte dos gestores e da diretoria ao local de trabalho ou situação que você pretende representar. Seja preciso!

5. Conhecimento: Uso da tecnologia  

Renda-se ao uso da tecnologia!

Conhecer o uso do mais simples software de edição de imagens (Paint, por exemplo) ao mais elaborados programas de gestão de SST contribuirá e muito para seu sucesso profissional.

Um uso mais simples dessas ferramentas pode ser uma opção viável, por exemplo, para indicação dos riscos e sinalização dos setores, processos e atividades de alguns departamentos da empresa. Você pode consultar na Internet alguns modelos de sinalização, adequar ao seu modo e utilizar no seu ambiente laboral. Muitos elementos no universo da Segurança Ocupacional são expositivos; precisam ser vistos, como as cores da coleta seletiva de resíduos, indicação de risco de choque elétrico e o próprio nome dos setores.

Softwares mais elaborados auxiliam na detecção e gestão de riscos. Não é necessário que você seja o programador, mas caberá ao profissional de Segurança do Trabalho o uso de determinados programas. O conhecimento das aplicações dessas ferramentas com certeza será destaque não só num processo de inspeção de segurança, mas como em todo o processo de gerenciamento de atividades.

Conclusão e um conselho

Simples de falar e difícil de implantar; não vou negar: Cultura da Segurança.

Depois de implantado os hábitos da Segurança do Trabalho, o profissional enfrentará o desafio de fazer com que os demais colaboradores acatem as normas internas da empresa no que diz respeito à SST.

Somente o tempo para transformar os hábitos em costumes e a Cultura de Segurança ser entendida como uma coisa a se fazer, quase que como uma lei.

O detalhamento do assunto fica para um próximo texto, mas adianto algumas alternativas para implementação: coleta seletiva de resíduos, organização e limpeza das áreas de trabalho, palestras sobre saúde, treinamentos, Diálogos Diários de Segurança (DDS)…

As habilidades serão imprescindíveis nesse processo, que não tem fim, pois é um ciclo.

Autor: Victor Pereira de Vasconcelos – Engenheiro Mecânico, Técnico de Segurança do Trabalho e Redator EmapX Blog.

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